O Som e suas Propriedades
No texto passado conversamos sobre o som como é produzido e seu modo de propagação. Descobrimos que tudo na face da terra produz som, pois todo matéria existente vibra. Logo, quando assistimos e ouvimos em desenhos animados e filmes, um grito ou um cantor de ópera emitir uma nota agudíssima, os vidros se racharem, achamos demasiadamente exagero, porém devemos ter consciência de que este fenômeno pode sim ocorrer. Pois, além do fenômeno de todo corpo que vibra emitir som, as ondas sonoras de igual característica afetam outros materiais na mesma frequência, fazendo que vibrem. Caso eu cante uma determinada nota na frente do meu violão, e o instrumento estiver afinado na nota que eu emitir, esta corda irá vibrar, emitindo som. Provavelmente sua amplitude será baixa, devendo aguçar nossos ouvidos para percebe-lo.
Cabe destacar duas palavras ditas acima: Frequência e Amplitude. O ouvido humano reconhece as frequências, que são medidas em Hertz (Hz), de 2o Hz à 20 kHz. Abaixo disso consideramos Infra-som, e acima Ultra-som. Quanto a amplitude medimos em décibeis. A amplitude é o componente que mais notamos em nosso ambiente, denunciado no outro texto que comenta sobre poluição sonora.
Além destas características, a física e a música utilizam do estudo sobre o que chamamos de propriedades do som para compreender sua produção e auxiliar na criação sonora. As propriedades do som são quatro: Altura, Duração, Intensidade e Timbre.
Altura:
A propriedade do som altura utiliza os conhecimentos sobre frequência para adquirir termos utilizados em música como grave e agudo. Ao ouvirmos uma escala do grave para o agudo temos a sensação sinestésica de que o som se movimenta da região baixa para algo que se encontra na altitude. Não nos deixa enganar a linguagem empregada para este fenômeno: a palavra escala vem do italiano, scala, que significa escada. Fica provado então esta sensação de movimentação vertical, referente a latitude, nos remetendo à palavra altura.
Na música ocidental em teoria musical adquirimos 12 sons diferentes, ditos temperados por buscar uma exatidão nas frequências das notas, e suas respectivas oitavas entre o limite de frequência entendido pelo ouvido humano, já citado acima. Já a música oriental, dita destemperada, encontramos novas frequências sonoras em suas obras musicais.
Duração:
Duração não é nada mais que o tempo em que determinado fenômeno sonoro ocorre. Variando entre um som longo e curto, em teoria musical estes conceitos ganham grafias, criando um signo (figura) para cada tipo de som cuja o seu tempo seja mensurável.
Intensidade:
É a propriedade que se refere a energia sonora, ou seja, forte e fraco. Utiliza dos conhecimentos sobre amplitude, medidos em decibéis, para elaborar novos signos em teoria musical, contendo as expressões: piano, mezzo e forte, junto de suas variações: pianíssimo, mezzo-piano, mezzo-forte, forte, fortíssimo.
Timbre:
Trata da característica do material sonoro. Cada objeto sonoro possui características que implicam na qualidade sonora. Um instrumento de cordas terá suas características; um instrumentos de sopro será diferente em sua sonoridade em relação ao instrumento de corda. Assim como os milhares de instrumentos percussivos que têm seus timbres completamente diferentes dos outros. A voz humana é outro fenômeno trimbrístico: cada ser humano tem seu timbre de voz único, adaptando-se apenas à características vocais em música.
Podemos agora avançar para novos assuntos, mergulhando profundamente no estudo em Música: esta arte que brinca com os fenômenos sonoros de forma encantadora. Arte mãe das artes, presentes desde que o ouvido humano conseguiu abstrair todas as intenções sonoras em nosso planeta cantor.
Filipe Rossi, pedagogo.
A Sinfonia Natural: Pensando o fenômeno sonoro
Quando andamos na rua, brincamos na escola, estudamos, assistimos filme, dormimos, nos deparamos com um fenômeno físico que não cessa. Ele está sempre ali presente. Este fenômeno que muitas vezes não notamos é o som. Somente se tivermos algum problema auditivo este fenômeno não se mostrará evidente, porém o sentiremos através da sensibilidade do tato.
O som é criado à partir da vibração de um dado corpo propagando-se em ondas. Como tudo que vemos, tocamos é matéria, ou seja, um corpo físico, podemos dizer que o Planeta Terra é uma verdadeira Sinfonia Natural. Tudo aqui na Terra vibra, e quando o ambiente possui O² (oxigênio) permite a transmissão sonora por suas ondas. Tal é o motivo por nossas capacidades auditivas ficarem reduzidas embaixo d’àgua ( H²O) – Note que a água possui somente uma molécula de oxigênio.
Alguns irão dizer: “Mas como tudo produz som? Isso é generalizar demasiadamente!”. Pois digo que tudo produz som, porém a capacidade de audição humana é reduzida, por exemplo ao balançar sua mão para cima e para baixo, este corpo, esta matéria, está vibrando porém não ouvimos som algum. Agora imagine ser tão minusculo quanto uma formiga, estando próximo deste movimento quiromantico provavelmente sentiria um turbilhão sonoro ensurdecedor, tal como uma ventania passando pelas frestas da janela num dia de tempestade.
O mundo é um corpo gigantesco que se entrega aos deleites do som! – Mas o Universo? Este possui som?
Há teorias que nos mostram que o Universo, desde sua menor partícula existente, até a sua completude que não pode ser mensurável precisamente, é uma grande sinfonia cósmica, muito parecido com o “caos” sonoro contido em nosso planeta. Porém não podemos afirmar como o som se comporta nos quintais de nossa Via Láctea, ou até mesmo num planeta vizinho.
Agora afirmando que tudo na face da Terra produz som, por que não notamos isto logo de cara? O que há em nossos ouvidos que não percebemos a voz do mundo?
É muito comum falar sobre sujeira nas ruas, poluição por emissão de gás carbônico (CO²), poluição visual nos muros, outdoors e placas, mas pouco notamos a sujeira sonora que temos em nosso meio ambiente. O caos urbano visual e respiratório turva nossa percepção sonora de um modo que não nos incomodamos mais com o excesso de música ambiente, barulhos mecânicos. E caso isso nos incomode em uma escala considerável tratamos de colocar fones de ouvidos e ligar nosso mp3. E ali escutamos músicas que dizemos promover um descanso mental. Porém não notamos que estes fones possuem apenas níveis sonoros médios, e ao invés de relaxar ajudam a tensionar cada vez mais nosso corpo.
Denuncio aqui a poluição sonora que nosso mundo foi afetado. Alguém se lembra qual foi a última vez que ouviu um passarinho cantar e notou a espontaneidade melódica deste animal? Ou quando a chuva estava se aproximando, sem necessitar olhar para o céu, ou ver previsões metereológicas?
Afirmamos acima que o mundo inteiro canta, porém não aprendemos a apreciar este belo concerto natural.
Filipe Rossi, pedagogo.
Março de 2010.